quarta-feira, 6 de abril de 2016

"SECTOR 1" 3º dia do I Fórum Nacional da Cultura Taurina

CAROLINA FERRAZ
O terceiro dia do I Fórum Nacional da Cultura Taurina foi uma jornada intensa e que se traduziu numa ampla e profunda discussão sobre o presente e a evolução da tauromaquia.
O dia começou com a apresentação de uma técnica recente, a Termografia, apresentada pela veterinária Carolina Ferraz. Esta é uma técnica de deteção de infravermelhos, sinalizando a captação de temperatura, permitindo assim aprofundar a investigação e conhecimento sobre o toiro de lide e a sua fisiologia. Por exemplo, com esta técnica pode-se confirmar cientificamente que o corte da ponta dos pitons dos toiros é absolutamente indolor e inofensiva para o animal. 
A primeira mesa redonda do dia foi dedicada ao Toiro do Futuro e reuniu 3 ganaderos de créditos firmados: António da Veiga Teixeira, João Ribeiro Telles e Raul Brito Paes, sendo moderada pelo critico Miguel Ortega Cláudio. 
António V. Teixeira defendeu um toiro de casta que pede contas aos toureiros, mas concordou que o toiro do século XXI tem de ser uma mistura entre o toiro de casta e do toiro feito a pensar no toureiro. “O toiro do futuro não pode ser o toiro colaborador, pois a sensação de risco tem de estar sempre presente na arena.” Quanto ao papel do ganadeiro afirmou que o “ganadeiro anda a reboque do que as figuras querem, e o toiro e toureiro têm de andar a reboque do público.”
João Ribeiro Telles realçou a tensão que hoje se nota nas praças entre o toiro de casta e a reação do público que procura um espectáculo equestre que não se esgota no toiro e que o toiro de casta não permite. A essência do ganadeiro pode estar na busca da casta, mas o toiro cooperante com a casta necessária é um bom toiro. Rematou afirmando que “o publico é que exige uma certa evolução que os ganaderos também têm de interpretar.”
Raul Brito Paes deu conta das suas inovações nos métodos de selecção, realizando tentas em busca do toiro ideal para a lide a cavalo, indo para lá da tenta clássica feita para o toureio a pé. Questionando se “a selecção para o toureio a cavalo em Portugal não tem de ser adaptada?”
Concordando com a ideia de que os toiros são hoje mais bravos que nunca, discordou de que o toureio a cavalo não precise de um toiro que humilhe. Se por vezes a percepção do risco é menor, por parte do público, isso deve-se ao facto de os toureiros serem hoje tecnicamente mais perfeitos pelo que a técnica reduz a percepção do risco, mas ele está lá na mesma. 

A primeira mesa redonda da tarde foi dedicada a pensar a Qual o Próximo passo na Evolução da Pega. Numa discussão moderada por José Cáceres, interviram os antigos forcados José Pires da Costa, Peu Torres, Diogo Sepúlveda, cabo dos amadores de Santarém, e Vasco Pinto, cabo dos amadores de Alcochete. 
Para Pires da Costa a história da pega é uma evolução continua. A pega vai continuar a ganhar estética e perfeição, sempre ligada à evolução do toiro. O forcado tem cada vez mais de fazer do seu corpo uma muleta. A dimensão plástica e estética, a arte, será o futuro da pega. 
Para Peu Torres a pega ainda tem muito para evoluir. O público pode pedir outras situações, outra imprevisibilidade, isso vai ser sempre determinante na evolução futura. Defende que não podemos ser restritivos, temos de estar aberto às mudanças que o grande público possa pedir em relação à corrida e ao forcado. A pega é tão intensa que nunca poderá ser monótona. Rematou afirmando que “não me incomodava ver o forcado colocar o toiro a corpo limpo e depois executar a pega como a conhecemos.” 
Para Diogo Sepúlveda “o que é fundamental é dar sentimento à pega. A pega de caras tem de ser menos força e mais sentimento, mais arte, respeitando os tempos da pega. Referiu que caminhamos para um toiro mais pesado e isso condiciona a evolução da pega. O espectáculo da pega vem do toiro, da sua emoção e transmissão. A evolução deve ser feita no aperfeiçoamento não “abandalhando” o que se faz.
Vasco Pinto destacou que “há uma mudança do conceito da pega como exercício simples de galhardia para um modelo de prática artística e como manifestação de sentimento ao citar, carregar, templar e reunir.” Estes tempos têm de estar reunidos para que a pega seja um exercício artístico e não somente de força. É por aqui tem de seguir a evolução da pega. Concluiu dizendo que “o forcado é um toureiro. O forcado tem de ser cada vez mais toureiro.”

Para encerrar o dia, a última mesa redonda analisou a forma de Comunicar a Tauromaquia no século XXI.  Esta mesa foi moderada pelo crítico Miguel Soares e contou com a participação António Sousa Duarte (Director da ADBD, Agência de Comunicação , Paulo Pinto (Diretor Criativo na Havas), Helder Milheiro (freelancer que trabalha em Comunicação Taurina) e Paulo Pessoa de Carvalho (empresário e presidente da Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos).
António Sousa Duarte destacou que “Não podemos desenquadrar a Tauromaquia do resto do Mundo e do que se passa hoje em dia. Vivemos com a globalização, um Mundo em que cada vez há menos espaço para a diferença”, por isso “O grande desafio estará em combater o preconceito”.
Paulo Pinto concordou que “A parte do preconceito é a mais dificil de gerir na parte da promoção da Festa” mas “Falta profissionalismo na forma como se promove e ao montar uma corrida de toiros. Tem que haver estratégia ao montar um espectáculo taurino e na sua promoção”. Hoje existe a ”Necessidade de atrair novas marcas publicitárias e de se inovar”. “Possivelmente repensando o produto e fazendo ajustamentos”. 
Helder Milheiro assinalou que “É importante pensar o produto Tauromaquia, um produto único, uma marca brutal, de grande impacto, pois a Tauromaquia tem uma riqueza muito grande que ainda tem muito mais para explorar”.  Nos dias de hoje perante o preconceito antitaurino que odeia e ataca o que desconhece, é imperiosa a “necessidade de dar a conhecer a Festa dos Toiros na sociedade” de modo a equilibrar a forma com esta é vista e a aumentar o seu mercado de clientes.”
Paulo Pessoa de Carvalho identificou erros que se cometeram, como a comunicação feita pelo sector, centrada em si mesmo, e pouco focada na sociedade em geral, pelo que o presente e futuro passam pela maior profissionalização da práticas e estratégias para comunicar o espectáculo taurino, atingindo a sociedade e captando novos públicos. 
O Fórum continua nos próximos dias 9 e 16 de Abril, no Campo Pequeno. Conheça o programa e inscreva-se em www.gtsector1.blogspot.com 

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