miércoles, 19 de septiembre de 2018

JUAN JOSÉ PADILLA – DESPEDIDA DA AFICION PORTUGUESA.



PADILLA SALIENDO POR LA PUERTA GRANDE DE CAMPO PEQUENO  (LISBOA)
O Matador de Toiros espanhol Juan José Padilla decidiu retirar-se das arenas no final da temporada e incluiu o Campo Pequeno na lista de praças de cujo público gostaria de se despedir.
A data da despedida é esta quinta-feira, numa corrida mista em que Padilla repartirá cartel com os cavaleiros João Moura Caetano e Duarte Pinto e os grupos de forcados Amadores de Santarém e Amadores de Montemor, lidando-se toiros de Herdeiros de Mário e Manuel Vinhas (quatro para cavalo) e Herdeiros de Varela Crujo (dois para pé).
A este propósito, colocámos algumas questões a Juan José Padilla que satisfez a nossa curiosidade com a disponibilidade e a entrega com que enfrenta o toiro.
1-               Quando tomou a decisão de se retirar no final desta temporada?
No ano passado, após a feira de Pilar, disse à minha família e aos meus pais, que em 2018 faria 25 temporadas em activo e pareceu apropriado que no final da temporada me despediria das arenas, depois de ter recebido do toureio mais do que alguma vez sonhara.

2-               Que balanço faz desta temporada de despedida?
Mais do que um balanço, ficam as recordações de grandes e sentidas emoções. Não houve uma única praça onde não tivesse havido um detalhe que guarde na memória. O público mostrou ter memória e tem sido muito grato comigo. Grato e respeitoso. Tudo isto tem sido também possível por muitas das empresas terem querido contar com a minha presença nos cartéis desta temporada. 

3-               Porque incluiu Lisboa nesta gíria de despedida?
Criei uns laços muito profundo com Lisboa, depois dos triunfos que obtive no Campo Pequeno. A forma como o público e a empresa me têm tratado tem sido espectacular. Aproveito para recordar e agradecer a entrega do prémio de triunfador na temporada de 2016 e o facto de, no dia da entrega, num jantar no final desse ano, no Campo Pequeno, ter sido levado em ombros pelos aficionados presentes, encontrando-me vestido de “paisano”.

4-               Como sente o público do Campo Pequeno?
Antes de mais, quero agradecer a Rui Bento Vasques a oportunidade que me deu para me apresentar no Campo Pequeno. Tinha um desejo especial de tourear em Lisboa, pela categoria da sua praça e da sua afición, uma afición tão exigente quanto sensível, que me emociona e apaixona pela sua entrega.

5-               Que mais aprecia no Campo Pequeno?
A tudo o que já referi, acrescentaria ainda as suas fantásticas instalações e a sua inigualável arquitectura...

6-               Qual o momento mais importante da sua trajectória profissional e o mais dramático?
Durante as minhas 25 temporadas de matador de toiros tive de todos os momentos que se podem viver numa carreira larga e de muito risco, mas igualmente recheada de grandes emoções. Tive muitas bênçãos de Deus e, quando digo isto, é porque estou convencido de que o sofrimento é parte da glória. Se é verdade que paguei com graves cornadas esse tributo à glória, como aconteceu em Huesca, Pamplona, Valencia e Zaragoza (a mais grave de todas) também tive imensas bênçãos divinas como foram as saídas em ombros pela Porta do Príncipe (Sevilha), o indulto de um toiro na Praça México, ser triunfador nos “Sanfermines” em vários anos, ter liderado o “Escalafón” em três temporadas, são ocasiões que significam para mim a recompensa pelo meu esforço

7-               Quantas cornadas sofreu ao longo da sua carreira?
39 cornadas contando as de alguns tentaderos.

8-               Que balanço faz da sua trajectória profissional?
Sinto-me feliz e orgulhoso de tudo quanto vivi na minha profissão. Nunca imaginei que poderia merecer tanto respeito e admiração da parte dos meus companheiros e, em geral de toda a sociedade e essa é a maior satisfação que podemos levar no momento da retirada.

9-               Como gostaria que os aficionados o recordassem?
A essa pergunta, não deveria ser eu a responder…

10-             Que conselho daria a um jovem que queira ser toureiro?
Que com disciplina, constância e tenacidade tudo se consegue...

11-             E despois do adeus às arenas…?
Estarei sempre nas mãos de Deus. Agora estou concentrado naquilo que me compete que é deixar a melhor das recordações em cada uma das arenas que piso.

12-             Gostaria de deixar uma mensagem de despedida aos aficionados portugueses?
Admiro e respeito os aficionados portugueses. Agradeço-vos de todo o coração todas as mostras de carinho e respeito que de vós recebi. Se Deus quiser, continuaremos a ver-nos, pois embora o traje de luces fique guardado, a minha pessoa continuará a apoiar e a disfrutar da festa de toiros, da nossa cultura e estarei sempre pronto para visitar Lisboa.

Joana Pina
Tauromaquia & Museu

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